quarta-feira, 7 de julho de 2010
Som da Noite
Já passava da meia-noite, quando fui me deita, apaguei a luz e deitei, sem mais demora minha irmã entrou no quarto , eu já estava sonolenta, ela se deitou na cama ao lado e em menos de 15 minutos ela dormiu, percebi logo que começou a roncar, parei de rolar na cama e prestei atenção no som do seu ronco, me lembrei do ronco de papai, lembro de como odiava e de como estrondava a casa, me enrosquei nas cobertas, em posição fetal e me lembrei novamente de papai, quando eu tinha uns 7 ou 8 anos e ele me embrulhava de noite, mandava eu esticar as pernas me cobria com o lençol em seguida o cobertor apertava-o em volta de mim pois sabia que no decorrer da noite estaria descoberta , enfim me olhava , beijava minha testa e me desejava boa noite. Achei incrível ter me lembrado disso, à algum tempo certamente não me lembraria, apenas o abraçaria e saberia que tudo estaria bem, e de que nunca sairia do meu lado.
Bom o ronco de minha irmã acabou, antes mesmo de me levantar e sacar o travesseiro em sua direção , mas ainda assim não conseguia mais dormir, resolvi levantar, andei pela casa e logo estava diante da TV, mas ela não parecia mais interessante que a cama.
Fui até a janela da sala, observei a noite a neblina que cobria a casa, ouvi os grilos, talvez em cima do pé de acerola ou mais ao longe perto das rosas, ouvi os carros na distante avenida, os latidos dos cães, ouvi os aviões ou helicópteros, não sei, no mais era apenas silêncio o vento batendo nas folhas balançando as cortinas, e novamente lembrei-me de papai, fechei os olhos e o imaginei me cobrindo, beijando minha testa e me desejando boa noite, enfim o sono acabou por chegar, voltei a minha cama e senti falta da sinfonia de 'ronco' que existia quando sai da cama.
P.G.
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